Publicidade

Dia 25 de dezembro, o dia em que a maioria das famílias está celebrando o Natal ou o Hanucá (que na...

Helio

Dia 25 de dezembro, o dia em que a maioria das famílias está celebrando o Natal ou o Hanucá (que na verdade foi ontem) não poderia passar em branco em um blog que diz ter voltado com tudo, mas o que um ateu, como eu, poderia dizer sobre hoje? Não acredito nessas coisas de Jesus e vindo de uma família católica admito que só conheço o Hanucá por causa da série Friends, então só me resta fazer o que eu faço melhor, expor os meus pensamentos.



Voltando ao título da postagem, eu irei explicar quem é Helio. Helio Bouzan Duran foi meu avô e estou me segurando para não usar eufemismos do tipo "eu o perdi" para dizer que ele faleceu a pouco mais de um ano. Meu avô era aquele cara gordão, apenas de barriga e do tipo que se pudesse estava comendo, então acho que isso já dá uma ideia de como é difícil passar um Natal, com a família reunida e uma quantidade enorme de comida na mesa e não lembrar dele. Sim, eu sei que parece bem idiota lembrar dele por causa de comida, mas me faz pensar em como ele estaria animado agora.

Obviamente ao escrever este texto bateu saudades, um pouco de tristeza e foi preciso parar e respirar fundo algumas vezes, mas minha intenção não é usar o Natal para fazer uma postagem dizendo o quanto eu sinto falta do meu avô e nem uma que vai me fazer ficar triste. Como hoje foi um dia que me fez pensar nele, eu quero fazer um texto falando sobre ele.

Meu avô era um técnico de eletrônica, se algum aparelho eletrônico dava problemas ele era chamado para fazer o conserto, o que inclusive me proporcionou minha primeira experiência de trabalho na vida. Um moleque sem experiência e que só estava lá por ser neto do técnico não servia para muita coisa quando o trabalho era, por exemplo, consertar um portão automático, então eu me limitava a ser o sidekick dele, carregando sua bolsa de ferramentas de um lado para o outro. Tirando o trabalho de carregar coisas, eu era bem inútil naquilo, porém cheguei a aprender algumas coisas como sincronizar um controle remoto com o motor de portão automático ou que aqueles alarmes de garagem possuem uma chave que desliga o seu barulho.

Hoje em dia eu não dou a mínima para futebol, mas quando pequeno eu era torcedor do Vasco, enquanto meu avô era do Fluminense. Um dia o Fluminense chegou na final da Libertadores contra o LDU e a Rádio Globo fez uma promoção sorteando um par de ingressos para assistir ao jogo de camarote (esqueci de mencionar que enquanto estava em casa, o meu avô tinha um radinho de pilha inseparável) e meu avô resolveu arriscar e ganhou, me escolhendo como acompanhante. O camarote foi incrível, era tudo liberado e o espaço era agradável, mas as surpresas não paravam por ali, o pessoal da rádio resolveu sortear uma camisa do Fluminense entre as pessoas ali presentes e eu pergunto: Quais eram as chances da única pessoa que estava ali por ter ganho um sorteio (tecnicamente, eu era o acompanhante) ganhar o sorteio da camisa? Eu não sei, mas ele ganhou e essa camisa está ilustrando essa postagem, porque mesmo que eu não goste mais de futebol, ela representa um dia histórico. Definitivamente meu avô estava com muita sorte nesse dia, só faltou mesmo o Fluminense ganhar a libertadores.

Se tem alguém por quem eu tenho admiração é ele e essa é uma frase que independente de qualquer coisa, não tem como ficar no passado. Ele é uma pessoa que faz com que por mais triste que seja escrever esse texto, eu consiga sorrir enquanto o faço e o mais interessante de escrever este texto inteiro é que até agora, ele é a pessoa que eu mais admiro, mas nunca tinham escrito nada sobre ele, nem uma frase. Agora vocês possuem uma ideia bem básica de quem foi Helio Bouzan Duran e do por que eu ter tanto orgulho deste sobrenome que eu uso para assinar minhas postagens.